"Suem agora para não chorar depois", Nosso Lar, cap. 1, de André Luiz.
Essa frase sempre me pareceu enigmática. Ora por se chocar com minha inercia, ora por me levar a longas reflexões.
Vejo que a palavra vitoria ou o verbo vencer podem ser entendidos sob diversos prismas. Pode-se dizer que o sujeito venceu na vida, venceu na carreira, venceu como pessoa, venceu como pai, foi vitorioso em seus objetivos, obteve vitoria em uma disputa, saiu vitorioso de uma luta.
Todos os usos acima usam o mesmo conceito semântico de alcançar o objetivo ao qual o uso conceitual dessas palavras é aplicado; mas não parece estranho? Que se possa usar um mesmo verbo ou um mesmo substantivo para caracterizar situações que muitas vezes mostram um contexto, premissa, valores, espectro completamente antagónicos?
Por exemplo, vencer na vida pode ser oposto à vencer como pessoa dependendo de qual conceito cada um tem sob o que seriam esses objetivos. Muitas vezes vencer na vida pode estar fazendo cognição a um lado mais material e vencer como pessoa pode se ligar mais ao lado espiritual; o que pode se tornar antagónico dependendo dos valores que cada pessoa define como acessório à esses conceitos.
Simplificando, vencer e vitoria podem assumir diferentes significados, revelar diferentes valores, que em diferentes situações podem apresentar um contexto e visão geral antagónicos sendo conceitualmente a mesma coisa.
E constatando assim que a impressão da linguagem é algo muito pessoal e depende muito de cada um, comecei a pensar no fato de que muito de nossas decisões ocorrem por osmose!: por conselho, referencial (pessoa que se toma de exemplo em determinada questão), influencia de parentes, o que se lê e ouve na midia. E após pensar isso me lembrei de algo que tomo sempre como premissa em minhas divagações mentais: Que o resultado de longo prazo é efeito das decisões de curto prazo, que cada decisão minúscula reflete no longo prazo o contexto geral do que acontece.
E ai veio o nó na cabeça! Por que se tudo em linguagem é muito relativo, e se aquilo que vemos e ouvimos é resultado de uma percepção muito pessoal de cada um sob o mundo, e se somos seres individuais e conscientes que teriam assim uma felicidade diferente mesmo que em detalhes do que qualquer outra pessoa; para onde ir? o que é universal? o que é certo? o que pensar? - é aquela vontade de ter um chão firme para se voltar e o branco que da sobre tudo que é mais real!.
Pois bem, muitas pessoas podem falar que esse raciocínio todos fazem em um certo ponto da vida, que é cair num cliché, que é infantil, ou até que é o velho debate de universalismo VS relativismo. Mas de qualquer forma para quem acha que a infância foi uma coisa boa e tem saudade dela, e para quem não esta nem ai para o método mas sim para o conteúdo relativo aos conceitos!; para esses eu comecei a chegar numa conclusão interessante!
Se tudo é relativo, mas se vivemos em sociedade, se a dialetica é a mãe da incerteza. Recorri para algo que é premissa na minha maneira de ver o mundo: A moral, a espiritualidade, a praticidade de se admitir que o simples sempre é o correto. E o interessante é que usar essas premissas não me conduziu a uma formatação conceitual; mas sim a uma resposta sobre tudo, o universo e tudo mais*, que servisse para mim, que me deixasse confortável, que tirasse um pouco do caos!.
E esse talvez seja o ponto. Que usar nossos valores, nossa percepção, para chegar a uma ideia de que decisões tomar, de conduta, de objetivos, de longo prazo, só leva a um mundo que será confortável, a cada um de nós, sozinho, único - É se admitir para si mesmo e ver que esse é o começo da felicidade; e não mais viver num mundo de formadores de opinião, de filósofos universais, de métodos certos, de gostos genéricos; é se deleitar com sigo mesmo e não com nossos pais, amigos, ou nossa sociedade!
Como diria o Raul!: "Destino é a gente que faz, na mente de quem for capaz."
* - Referencia ao filme "Guia dos mochileiros das galáxias"
20/06/2009
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